julho 19, 2024
Legislação severa contra o Bullyng foto deiwid felicio

Legislação severa contra o Bullyng

Governo francês quer confiscar celulares e proibir perfis de redes sociais de autores de bullying nas escolas.
A França foi palco neste ano de três suicídios de adolescentes vítimas de bullying na escola. O problema preocupa famílias e educadores e o governo não descarta a adoção de medidas drásticas. Entre elas, a apreensão de celulares e o bloqueio das redes sociais aos agressores.
O bullying nas escolas volta à tona no início deste novo ano escolar na França devido ao caso recente de um jovem que cometeu suicídio após ter sido assediado durante meses por dois colegas. Nicolas, de 15 anos, resolveu tirar a própria vida no último 5 de setembro ao perceber que as próprias autoridades administrativas não conseguiam encontrar uma saída para o seu caso.
A morte do adolescente ganhou uma forte repercussão nas mídias francesas e chegou a sensibilizar a primeira-dama da França, Brigitte Macron. A mãe e o pai de Nicolas contaram à imprensa que alertavam, desde o ano passado, inspetores da escola onde o garoto estudava, em Poissy, na periferia de Paris, sobre dois colegas que o importunavam com violências físicas e psicológicas…

Após uma primeira tentativa de suicídio de Nicolas, em janeiro deste ano, a família se desesperou e apelou a todas as medidas possíveis para evitar uma tragédia. Os pais registraram um boletim de ocorrência na polícia e acionaram os gestores do sistema de educação local e regional, mas sem obter resultados.
Além de o assédio contra Nicolas continuar, a família recebeu como resposta do serviço jurídico do reitorado local uma carta sugerindo “denúncias caluniosas”. O texto também lembrou o risco que o pai e a mãe do garoto corriam de serem condenados a uma pena de cinco anos de prisão e a pagar uma multa de € 45 mil pelo comportamento considerado “desrespeitoso”.
“Nós éramos vítimas e nos tornamos culpados!”, diz Béatrice, mãe de Nicolas, ao Journal du Dimanche. Em entrevista ao diário, ela descreve um adolescente calmo e gentil, que passou a desconfiar de todo mundo após ser vítima de assédio na escola. “Nicolas conhecia todos os casos de bullying com adolescentes que terminaram em tragédia nesses dois últimos anos. Ele se dizia indignado com a falta de soluções para essa situação”, reitera.
Suicídios de alunos se multiplicam naquele país
O caso de Nicolas não é uma exceção: suicídios de adolescentes devido ao bullying nas escolas vêm se repetindo na França. São tragédias que dizem respeito a adolescentes cada vez mais jovens, como Lucas, de 13 anos, de Golbey, no nordeste da França, que se suicidou no começo deste ano após meses de assédio de dois colegas por ser homossexual. Em maio, foi a vez de Lindsay, de 13 anos, tirar sua própria vida em Vendin-le-Veil, no norte do país, por sofrer cyberbullying.
Segundo dados do próprio governo francês, entre 800 mil e um milhão de alunos por ano são vítimas de bullying de colegas. O Unicef aponta que um a cada dez estudantes de 13 a 15 anos na França é alvo de intimidação nas escolas. Embora o problema não seja novo, foi apenas a partir dos anos 2000 que as autoridades começaram a se preocupar com esse tipo de agressão, que pode ser verbal, física ou psicológica.

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