julho 24, 2024
Joares e Caio esclarecem acusações da Mensageiro Foto Divulgação

Joares e Caio esclarecem acusações da Mensageiro

Em depoimento à justiça, Joares e Caio tentam explicar envolvimento na operação mensageiro. “Vinhote”, mesada e encontro em posto: prefeito e vice de Tubarão depõem sobre acusações na Mensageiro
Em depoimentos na Operação Mensageiro, Joares Ponticelli e Caio Tokarski negaram ter recebido propina e encontros com pessoas ligadas à empresa investigada.

Segundo o NSC Total, através do reporter Jean Laurindo

O prefeito de Tubarão, Joares Ponticelli (PP), e o vice Caio Tokarski (União) negaram em depoimento ter recebido pagamentos de pessoas ligadas à empresa Serrana Engenharia. Os dois estão detidos preventivamente pela Operação Mensageiro desde fevereiro deste ano. De acordo com o Ministério Público, eles seriam suspeitos de receber uma “mesada” de R$ 30 mil da empresa por ao menos 15 vezes em troca de vantagens no contrato de destinação de lixo na cidade.
Joares e Caio, além de negarem o recebimento de propina e conversas com representantes da empresa, também comentaram sobre suposto encontro de um gerente da prefeitura de Tubarão com o “mensageiro” e responderam perguntas sobre o termo “vinhote”, que aparece em trocas de mensagens.
As afirmações em que Joares e Caio negam ter recebido valores e também afirmam não terem se encontrado com representantes da empresa ocorreram em depoimentos a que a reportagem da NSC teve acesso, em mais um chamado vazamento de informações para a imprensa.
Questionado diretamente em depoimento se teria recebido algum dinheiro da Serrana ou de pessoas que se referiam ao nome da empresa, o prefeito de Tubarão negou:
— Nunca recebi qualquer dinheiro.
Joares também afirmou, no depoimento, que não acredita em direcionamento da licitação para que a Serrana fosse favorecida.

— Tenho plena convicção, pela briga que foi a licitação, como eu disse, por aquilo que o Tribunal de Contas e Tribunal de Justiça colocaram de olhar em cima, eu não tenho dúvida que o processo foi feito com toda a lisura e transparência — afirmou.
Já o vice-prefeito Caio Tokarski admitiu ter se encontrado com um representante da Serrana antes das eleições municipais de 2016, quando foram eleitos para o primeiro mandato, mas disse que o assunto tratou de uma possível oferta de doação legal da empresa para a campanha eleitoral, e negou ter recebido qualquer valor.
— O prefeito que estava na frente não era muito bom e ele estava vendo a dificuldade, porque a gente estava em terceiro, e ele perguntou como poderia ajudar. Eu falei: “O senhor pode fazer uma doação oficial”. (Ele disse:) “Mas quanto” e tal? (Respondi): “Ah, senhor, daí eu não sei quanto, como que eu vou quantificar, o dinheiro seu” — afirmou.
Depois disso, o representante da empresa que teria dificuldade caso fizesse a doação porque candidatos de outros municípios também passariam a pedir, e ficou de pensar. Segundo Caio, o empresário acabou não fazendo nenhum pagamento a ele.
O prefeito Joares também respondeu perguntas sobre um encontro registrado pelos investigadores entre Darlan Mendes da Silva, ex-gerente de gestão municipal, e o “mensageiro” — a pessoa contratada pela empresa para entregar valores de propinas a agentes públicos. As imagens obtidas pelo MP mostram que eles ficaram poucos segundos com os carros lado a lado, em um posto de combustíveis em Tubarão, à noite. O Ministério Público afirma que seria para entrega de propina.
— Eu sei que ele reconheceu que houve esse encontro para passar uma avaliação que ele teria feito sobre uma licitação que a Serrana estava participando em outro município e que ele teria sido consultado para dar uma opinião sobre edital, não sei se era um questionamento, uma impugnação. Acho que foi nesse sentido, que ele teria feito uma avaliação disso a pedido da Serrana — afirmou.
O prefeito também negou qualquer encontro em que teria sido informado por algum representante da Serrana em que o suposto pagamento de propina seria suspenso pela desconfiança de que a empresa estivesse sendo investigada. A suposta reunião foi narrada em depoimento do dono da empresa Serrana.
Joares afirma que encontrou com o dono da empresa apenas uma vez, na prefeitura.
— Acho que chegando [na prefeitura], passei para cumprimenta-lo apenas, não tive nenhum assunto para tratar com ele — afirmou em depoimento.
Joares e Caio também foram questionados no depoimento sobre o termo “vinhote”, que teria sido usado em trocas de mensagens pelo celular com o ex-gerente Darlan. Em uma das frases enviadas ao vice-prefeito, ele teria dito “Tenho um vinhote pra te entregar” e “falei com ele ontem”.

Joares negou saber o que seria o termo “vinhote”, mas afirmou que era presenteado com vinhos por secretários nos finais de ano e próximo a seu aniversário.
Caio também respondeu sobre as mensagens relacionadas ao termo “vinhote”.
— Fatalmente ele deve ter me entregado algum tipo de bebida alcoólica, era pontual isso — pontuou.
Ele também negou saber o que seria o termo “vinhote”.
No fim do depoimento, o prefeito Joares faz um desabafo em que afirma estar vendo “escoar pelo ralo” a sua história política de 27 anos e pediu celeridade e direito a ampla defesa aos investigadores.
— Que isso possa andar rápido para a gente poder restabelecer a minha e a dignidade dos que me cercam — afirmou.

A defesa do prefeito de Tubarão, Joares Ponticelli, afirmou à reportagem da NSC que por ora não vai se manifestar.
Em nota, a defesa do vice-prefeito Caio Tokarski afirmou que ele “nega veementemente os fatos que lhes são atribuídos na denúncia”. Também afirma que “colaboração premiada não é prova, mas meio de obtenção de prova”, e que vai demonstrar a inocência de Caio na instrução processual.
A defesa de Darlan Mendes da Silva, ex-gerente de gestão da prefeitura de Tubarão, informou também por nota que “ratifica sua inocência e informa que todas as manifestações serão feitas exclusivamente nos autos dos processos judiciais”.
A Serrana Engenharia, agora chamada de Versa Engenharia, informou que todos os esclarecimentos e manifestações vão ser realizados exclusivamente nos respectivos processos da Operação Mensageiro.
A Operação Mensageiro
A Operação Mensageiro apura um suposto esquema de pagamento de propina a agentes públicos em troca de vantagens em contratos de coleta de lixo em cidades de SC. No total, 16 prefeitos já foram presos preventivamente. O Ministério Público afirma que o esquema pode ser “o maior escândalo de corrupção da história de SC” e diz que a movimentação de propinas pode ter chegado a R$ 100 milhões.

Mensageiro: como seria o esquema na empresa apontada como pivô do escândalo do lixo em SC
Operação Mensageiro apontou que a cabeça da organização criminosa estava na empresa Versa Engenharia, antiga Serrana
A Operação Mensageiro vem desmantelando o maior esquema de propinas da história de Santa Catarina, de acordo com o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina). Conforme apuração da NDTV, a investigação apontou que a cabeça da organização criminosa estava na empresa Versa Engenharia, antiga Serrana, que teria pago ao menos 16 prefeitos em troca de favorecimento em licitações de serviços públicos.
A investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) iniciou em 2021 e, de acordo com o MPSC, logo o dono da Serrana foi identificado como mandante do esquema.
Além dele, outras seis pessoas, entre funcionários da empresa e pessoas que eram integrantes velados, agiam em conjunto para esquematizar o pagamento de propinas.
O braço-direito do dono da empresa era o diretor operacional de águas e saneamento, que tinha a função de fazer reuniões com os prefeitos. Nessas ocasiões ele recebia pedidos de propina ou oferecia os pagamentos.
A Operação Mensageiro aponta que o acordo só era firmado quando o chefe, dono da Serrana, aceitava ou não a negociação.
Assista à matéria completa do ND Notícias
MP fala como o dinheiro ia da empresa para os prefeitos
O Gaeco explica que, depois do acordo aceito, duas pessoas, que não eram funcionárias da empresa de saneamento, entravam em ação. O intuito da Serrana seria simular pagamentos por serviços pra acobertar o desvio de dinheiro.
Conforme a investigação, os suspeitos iam até as empresas que prestavam serviços para a Serrana para serviços lícitos, como o de conserto de caminhões, e pediam notas frias. Com os documentos falsos em mãos, as prestadoras de serviço pagavam o gerente de controladoria da empresa em dinheiro vivo, já lavado.
O ponto de encontro era fora da sede da empresa, localizada em Joinville. Em seguida, o dinheiro lavado voltava para a Serrana e era entregue para a gerente financeira. Ela era responsável pelas contas da empresa investigada pela Mensageiro e também organizava os valores de propina para cada prefeito em uma planilha.
Investigação revela o que seria esquema de propinas da Serrana Engenharia, que hoje atua sob o nome Versa. – Foto: Arte/ND
O MPSC aponta que, mesmo com o esquema consolidado, a organização criminosa era concentrada em um pequeno grupo da empresa. Por isso, dados como o quanto cada prefeito recebia, por exemplo, eram protegidos em um pen drive para que ninguém tivesse acesso. No dia da abordagem do Gaeco, segundo a investigação, uma funcionária tentou destruir o dispositivo, que foi recuperado pelos agentes.
O dinheiro da propina era dividido e colocado em envelopes pela gerente, que entregava para o gerente de controladoria, responsável por se encontrar, todas as terças-feiras, com o “mensageiro”, homem que seria responsável pela entrega de propinas a prefeitos investigados pelo MPSC.
O operador revelou em depoimento que não tinha participação na negociação, mas que preparava a logística com base no contato que recebia escrito em uma folha na retirada dos envelopes.
Mensageiro tem ao menos 42 presos e 7 prefeitos réus na Justiça
A Operação Mensageiro prendeu 16 prefeitos em cinco meses desde que deflagrou a primeira fase da investigação, em dezembro de 2022. Até esta quinta-feira (11), sete destes prefeitos se tornaram réus na Justiça catarinense. Segundo o TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina), no total, ao menos 42 pessoas foram presas, de acordo com informações de processos sem segredo judicial.
Os prefeitos na mira da Justiça podem responder por fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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